Estética filosófica - O que o artista faz?
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| "O Inverno"("O Dilúvio"),1660-64, Nicolas Poussin, óleo sobre tela, 118cmx160cm, Museu Louvre, Paris. |
Refuta a sociologia da arte - a explicação sociológica não é exigência do socialismo - e a tradição (pós)estruturalista, por considerá-la pouco útil.
Adepto da ciência da distribuição (connoisseurship), fundada por Jonathan Richardson e desenvolvida por Giovanni Morelli, beneficiou-se dos historiadores de arte Denis Mahon e Johannes Wilde, bem como dos escritos de Ernest Gombrich.
Para compreendermos a importância destes aspectos em sua teoria, tomaremos como ponto de partida seu próprio questionamento: "O que o artista faz?".
Sob a perspectiva da Teoria Institucional da Arte, uma pintura só é uma obra de arte quando determinadas pessoas que ocupam certas posições socialmente identificadas ("representantes do mundo da arte"), que lhes outorga esse status, assim a identificam, sob uma gama de teorias que enfatizam o caráter histórico da arte ou sua dependência da tradição.
Uma resposta "internalista" teria que demonstrar que o status de arte é uma aparência que a realidade social explica. Já a resposta "externalista" levaria em conta uma propriedade da pintura que não tem nada a ver com o fato de ela ser pintura - o quê importa é o que o artista faz e não o que ele diz, que é mera informação, comprometida, do que ele fez ou fará. A resposta "internalista" concentra-se no critério da arte, reside em alguma propriedade diretamente perceptível que a pintura possui - formalista ou menos formalista - como na Teoria da Gestalt, da Espiritualidade ou a Forma Significativa.
Para que a pintura seja arte, dizia Wolheim, os atos específicos do pintar devem ser intencionais - as maneiras de pintar coincidem com os tipos de intenção. Intenção pode ser equiparada à mera vontade ou pensamento volitivo do artista de que a obra adquira determinada forma ou que o espectador tenha determinada reação diante dela. Essa força causal/fenômeno mental não é uma imagem interior do quadro que irá surgir, tal como a linha de pensamento no ensino da arte tradicional que remonta a Leonardo da Vinci. Não se entende que seja séria a concepção do quadro sem compromisso com o meio.
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| "São Lucas desenhando a Virgem",1435-40, Rogier van der Weyden, óleo e têmpera, 137cmx110cm, Museu de Belas Artes de Boston. |
A pintura torna-se, então, arte, de acordo com a forma como se adotam as descrições pelas quais ela é intencional e de como uma tal descrição dá origem à outra.
Além da tematização, Wolheim preocupava-se também com o estilo, fenômeno que os métodos mais tradicionais da história da arte sempre reconheceram como o próprio núcleo do seu objeto.
O estilo pode ser concebido como geral ou individual, sendo este último o do pintor. Ele não se altera. Está no artista que o tem - ele o formou - e tem uma grande força explicativa: porque a obra é como é, e que semelhanças estabelece entre outras obras dele; explicações diacrônicas (história e evolução do estilo), como ocorreu com a fase pré-estilística de Cezánne, por exemplo. Também há o pós-estilismo e o extra-estilismo (obra executada por um artista de estilo, fora do estilo).
Há distinção entre estilo e assinatura - características da obra de um artista que são guias seguros para determinar a autoria de quadros individuais.
De qualquer forma, o artista deve ser sempre o ponto de partida.
Pinturas específicas são coisas. A pintura ocupa um lugar no sistema geral de símbolos. Ela também exerce uma função no sistema social. Também há a variante da interpretação institucional da pintura - seja a acadêmica, um corpo de professores ou um grupo de artistas de vanguarda. E estamos, novamente, diante da teoria institucional sobre o que significa a arte, que tampouco se resume a um artefato que cumpre uma função social.
A adoção da perspectiva do artista exige privilegiar o que o agente faz. Mas, não despreza ou rejeita o ponto de vista do espectador. É uma distinção entre papéis, e não entre pessoas, que podem assumir diferentes papéis sem nunca prescindir do artista - que também é o espectador do próprio trabalho.
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| Jackson Pollock trabalhando. |
Referências:
"A pintura como arte", 1984, Richard Wollheim.
"Art and aesthetic", 1974, George Dickie.
"Art and Culture", 1961, Clement Greenberg
"Basic Desing: the dynamics of visual form", 1964, Maurice de Sausmarez.
"Objects of Desire: design and society", 1986, Adrian Forty.
"The blue and the brown books", Wittgenstein.




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