Jazz




Tati&Arte&Manha
Tom Jobim





Os devotos do jazz podem gostar também de música brasileira, como o samba a bossa-nova de Antônio Carlos Jobim, Hermeto Pascoal e César Camargo Mariano.













Hermeto Pascoal

O rock provém do jazz (popular) do qual é uma simplificação - nova música popular (pop) encarnada pela extravagância de Jimmy Hendrix, pelos Beatles e pelos Rolling Stones. Os Beatles e os Stones, a partir do velho jazz e do blues popular, geraram uma música simples e vocal amplificada pelo volume sonoro dos amplificadores das guitarras e baixos elétricos, renovando a importância da bateria.














César Camargo Mariano
O jazz casa bem com o rhythm and blues que provém da comunidade negra e pode ser considerado uma linhagem do jazz em James Brown, Otis Redding, Curtis Mayfield, Marvin Gaye, Tina Turner e Stevie Wonder. 
O jazz inscreve-se num amplíssimo movimento de cultura africana, extensiva às suas conexões, como a música do Caribe - cubana e porto-riquenha - bem como a salsa (latin jazz).






Originalmente uma forma vocal de blues, somado ao spiritual, anterior matéria-prima fundamental ao ragtime, remonta aos negros da Luisiana, entre 1885-1910, originários do tráfico "da floresta" dos Camarões ao Senegal, diferente "da savana", menos tipicamente negro-africana por sua abertura à influência muçulmana.  É resultado de complexas derivações a partir de um tema, tirando partido de um elemento rítmico, onde a tradição africana preserva os timbres triturados, adulterados, apagando a fronteira entre o som e o ruído numa nova concepção de afinado. Uma música de expatriados africanos deportados à América, que adaptou seus cânticos quando em contato com o protestantismo do "Sul profundo".  O acompanhamento dos cantores com palmas no 2o. e 4o. tempos do compasso, reapropriado de várias maneiras a música religiosa dos lavradores à música especificamente negra - o spiritual, o folclore negro americano das baladas e do blues, com componentes temáticas brancas: no blues primitivo a arte musical negra permanecia essencialmente vocal; no final do século XIX, os negros da Luisiana formavam orfeões retomando as polcas, quadrilhas, marchas e canções à moda dos brancos até o surgimento do ragtime (destinado ao piano, consiste numa adaptação da música dos brancos). O ragtime foi adotado pelo jazz em seus primeiros tempos e depois substituído pela forma dos "songs" - canções populares americanas brancas.  A música dos negros teve uma tradução satírica branca na arte dos menestréis (minstrels). Os negros imitaram seus imitadores, além de zombarem de si mesmos causando uma tragicomédia ácida de empréstimos recíprocos entre minstrels brancos e negros.

O jazz tomou forma enquanto estilo musical original após 1880, quando as orquestras de Nova Orleans acrescentaram os blues e rags a seu repertório de música dançante que soava nas competições populares entre músicos - bucking contest e cutting contest.


Leiturinhas:
"Jazz" (1989), de Christian Bellest e Lucien Malson.
"O Jazz" (1926) de André Schaefener.



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O jazz tem características, a saber,
(1) o tratamento particular do som, apoderando-se dos instrumentos musicais o músico tenta reproduzir os efeitos vocais característicos dos cantores africanos, variando a intensidade e ressonância dos tons emitidos. Essas inflexões tiveram subespécies, conforme o instrumento: (1.1) glissando; (1.2) atabaque brusco; (1.3.) vibratos exagerados conferindo mais calor e volume à sonoridade; (1.4) vocais abafados/triturados pela utilização da surdina; (1.5) vibração forçada da garganta e das cordas vocais que produzem o growl instrumental; (1.6) notas que buzinam; (1.7) sons harmônicos com acúmulo de exacerbação. 
(2) valorização específica do ritmo do jazz instrumental que organizou-se sob um novo parâmetro musical, o swing - dor e prazer, desejo e angústia. Em seu nível mais elevado, o jazz corresponde a uma pesquisa e a uma exteriorização do swing: (2.1) adoção do compasso quaternário; (2.2) organização das notas do compasso em relação ao andamento é sempre rigorosa; (2.3) utilização de acentuações oportunas dando vivacidade ao ritmo e ao fraseado, às vezes invadindo o discurso até fundir-se com ele, outras a acentuações impõem-se com força de domínio, soda o ritmo, a melodia e a harmonia; (2.4) divisão do tempo.

O jazz também tem tipos.
SPIRITUAL, com rudimentos africanos nas manifestações musicais dos negros americanos usando ritmos antigos como bater palmas, movimentos dos pés, técnicas da voz, técnicas corporais. Usa a forma da antifonia africana nos moldes do repertório da igreja branca - uma retomada dos cantos europeus pelo costume africano e um conjunto de práticas vocais distinguido em etapas do sermão ritmado, salmodia, canto ritmado e paroxismo do transe. Universidades negras de Nashville e outras recolheram e codificaram o repertório dos cantos sagrados da comunidade em que aparece a inevitável cadência plagal européia.
GOSPEL tornou-se usual após a Segunda Guerra Mundial. É referência explícita ao Evangelho e distingue duas correntes do canto sagrado - o spiritual "clássico" ligado aos temas do Antigo Testamento e outra dedicada aos episódios da vida de Cristo. O jazz influenciou o gospel, onde seus solistas escreveram eles mesmos a música e letra das canções ao invés de simplesmente retomar os cânticos e os work-songs "sacralizados", mesmo pertencendo ao mundo do disco.
FUNKY retomou a convicção rítmica do spiritual.
RAGTIME originou-se no cake walk - dança dos negros americanos no início do século 19 - e na bambula. Respeita escrupulosamente os valores de notas escritos e não pratica a improvisação, ao contrário do jazz-man que acrescenta fantasia interpretativa e "cava" mais o ritmo.
BLUES é uma das vertentes profanas da música afro-americana, depois do ragtime. 
HOLLER é o grito de chamada dos trabalhadores dos campos ou pregões dos vendedores de rua, cujas tremulações vocais e bruscas mudanças de altura são encontradas também no blues. O "blue notes" seria o resultado da criação de escravos da África Ocidental usuários da pentatoria (escala primitiva) que modelaram a terça e a sétima maiores, ausentes no seu sistema.
MAINSTREAM foi um movimento que iniciou após 1935, chamado jazz clássico ou middle jazz, expressão inventada na França por Jacques Souplet. É o brilhantismo solo da improvisação liberada: a noção de improvisação, a natureza dos temas, inventores no mainstream.
BE-BOP é a emergência de um estilo, a temática do be-bop, a capela parkeriana (Leo Parker), o afro-cubanismo, a estética de Monk (descontinuidade, organização do tempo, alongamento do instante - valor primordial do jazz).
COOL, o coolmen, dos jazzmen saudáveis, tranquilos e graciosos, que renunciaram à prática de uma arte rude e violenta, obstinada ou solicita. 
HARD é o bop "duro" acrescentando o vigor ao volúvel fraseado dos coolmen.
FREE é intensão fundamental de levar ao extremo a expressão de emoção, da viv~encia instantânea, num frenesi de liberdade. Tornou-se moda na Europa durante os anos 1970 e prodziu grandes e pequenas formações. Suas marcas foram os discos E.C.M. de Munique, fundada em 1970.
ROCK, como música popular; simplificação do jazz.
JAZZ IMPERATOR como linhagem do jazz.
















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